Bate-boca, pedido de desculpas de Cármen Lúcia e vistas de Flávio Dino: a sessão sobre possível investigação de Alexandre de Moraes no caso Banco Master
Pedido de vista de Flávio Dino suspendeu julgamento; ministros não decidiram se vão analisar conjuntamente as condutas de Alexandre de Moraes e André Mendonça
O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou nesta terça-feira (15.set.2026) a discussão sobre uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. A sessão foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino, após bate-bocas entre ministros e um pedido de desculpas de Cármen Lúcia aos brasileiros.
A interrupção ocorreu antes da análise sobre autorizar a investigação. O plenário discutia uma proposta de Gilmar Mendes para reunir os procedimentos sobre Moraes e as acusações feitas por ele contra André Mendonça, relator das investigações do banco.
O placar ficou em quatro votos pela análise separada e três pelo julgamento conjunto. Dino, que havia defendido a reunião dos casos, deixou de ter o voto contabilizado após pedir vista. Ele tem até 90 dias para devolver o processo. Não há data para a retomada.
Durante a sessão, Moraes acusou Mendonça de pressionar a Polícia Federal para incluí-lo em uma delação premiada e afirmou ter testemunhas. “Isso é mentira”, rebateu Mendonça. Moraes também atribuiu motivação política à atuação do colega.
Gilmar afirmou haver “inequívoco viés eleitoral” na condução do caso. “O senhor está sendo leviano”, respondeu Mendonça. Em outra discussão, Gilmar acusou o colega de agir com “sentimento policialesco”. “Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!”, reagiu Mendonça. “Pode chorar, pode chorar”, retrucou Gilmar.
Última a votar, Cármen Lúcia afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza”. “Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, declarou. Segundo ela, o Supremo provocou um “mal-estar cívico” no país.
A discussão ocorre após a divulgação de um relatório da PF que apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes. O ministro acusou Mendonça de liberar documentos de forma seletiva. Mendonça negou e afirmou ter preservado informações de investigações em andamento e dados de terceiros.
Nunes Marques e Dias Toffoli não participaram da votação. O primeiro declarou impedimento, citando a presidência do TSE; o segundo, suspeição.
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