
A Justiça decretou a prisão preventiva de 13 homens detidos em flagrante após atos de violência registrados no sábado (1º), durante o clássico entre Santa Cruz e Sport, no Recife. Segundo a delegada-geral adjunta da Polícia Civil, Beatriz Leite, 32 pessoas foram conduzidas à delegacia no dia dos confrontos.
Ao menos 13 pessoas ficaram feridas e receberam atendimento no Hospital da Restauração, no Centro do Recife. Na manhã desta segunda-feira (3), apenas uma delas permanecia internada, com quadro de saúde estável.
Entre os detidos, estão o presidente de uma torcida organizada do Sport e um integrante envolvido no ataque ao ônibus do Fortaleza, ocorrido em fevereiro do ano passado, que deixou seis jogadores feridos. As prisões foram decretadas após audiência de custódia.
A Polícia Civil investiga os torcedores detidos por crimes como associação criminosa, dano ao patrimônio e lesão corporal. Segundo a delegada Beatriz Leite, os envolvidos tinham a intenção de promover atos de violência antes do jogo.
Materiais como barrotes de madeira, canos de ferro e arames farpados foram apreendidos. Dos 13 mandados de prisão preventiva, seis foram expedidos no Recife e os outros sete em cidades da Região Metropolitana.
Jogos de Santa Cruz e Sport sem público
O governo de Pernambuco anunciou a proibição de torcida nos próximos cinco jogos do Santa Cruz e do Sport. A medida foi fundamentada em uma recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que visa coibir a violência associada às torcidas organizadas.
A diretoria do Sport contestou a decisão e afirmou que irá recorrer na Justiça. A Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e demais clubes de Pernambuco também manifestou contrariedade, alegando que a medida penaliza torcedores e trabalhadores do futebol. O Ministério Público (MPPE) argumenta que a proibição busca pressionar os clubes a adotarem medidas eficazes para conter a violência.
Inteligência alertou sobre possíveis confrontos
Um relatório da Polícia Civil indicando que as torcidas organizadas já planejavam os confrontos antes da partida. A Delegacia de Repressão à Intolerância Esportiva, que alertou a Secretaria de Defesa Social (SDS) sobre a possibilidade de confrontos entre torcidas organizadas antes da partida. O documento indicava que os grupos combinavam embates por meio de redes sociais, o que levou as autoridades a intensificarem a segurança. Apesar das medidas, os confrontos ocorreram e resultaram em cenas de violência horas antes do jogo.
SDS diz que não houve falha de segurança
Oposição vê desdobramento violento como ‘tragédia anunciada’
O deputado estadual Waldemar Borges (PSB) classificou os confrontos entre torcidas organizadas no Recife como uma “tragédia anunciada” e criticou a falta de ação preventiva do governo. Segundo ele, os embates foram marcados com antecedência pelas redes sociais, e as autoridades tinham a obrigação de agir antes da escalada da violência. “Não houve trabalho de inteligência, não houve ação preventiva. A omissão custou caro”, afirmou.
O parlamentar destacou que, quando as forças de segurança decidiram intervir, o cenário já era de terror em diversas cidades da Região Metropolitana. “Tentaram fechar a porta depois da casa arrombada”, disse, ressaltando que a violência poderia ter sido evitada. Para ele, o governo demonstrou lentidão ao reagir às consequências de um episódio que intensifica o problema da insegurança no estado.


























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